RenovaBio x ISCC: quais são as diferenças e quando sua empresa deve adotar cada certificação?

RenovaBio ou ISCC?

Empresas que atuam na produção, processamento e comercialização de biocombustíveis frequentemente se deparam com uma dúvida: RenovaBio e ISCC são concorrentes? Uma certificação substitui a outra?

A resposta é não.

Embora ambas estejam relacionadas à sustentabilidade e à rastreabilidade de matérias-primas, elas possuem objetivos, requisitos e mercados completamente distintos.

Enquanto o RenovaBio é um programa nacional criado para incentivar a descarbonização da matriz energética brasileira, o ISCC (International Sustainability and Carbon Certification) é um sistema internacional de certificação voltado principalmente para mercados externos e cadeias globais de fornecimento.

Neste artigo, apresentamos as principais diferenças entre esses dois sistemas e explicamos em quais situações cada um deles pode ser mais adequado.

 

O que é o RenovaBio?

O RenovaBio é a Política Nacional de Biocombustíveis, instituída pela Lei nº 13.576/2017, com o objetivo de aumentar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira e contribuir para a redução das emissões de gases de efeito estufa.

O programa é regulamentado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e possui como principal instrumento econômico a emissão dos Créditos de Descarbonização (CBIOs).

A certificação avalia o desempenho ambiental da produção do biocombustível, permitindo que produtores certificados emitam CBIOs proporcionalmente à eficiência ambiental do processo produtivo.

 

O que é o ISCC?

O ISCC (International Sustainability and Carbon Certification) é um sistema internacional de certificação reconhecido em diversos mercados, especialmente na União Europeia.

Seu principal objetivo é garantir que matérias-primas renováveis sejam produzidas de forma sustentável, respeitando critérios ambientais, sociais e de rastreabilidade.

O sistema possui diferentes escopos, como:

      • ISCC EU

      • ISCC PLUS

      • ISCC CORSIA

      • ISCC RFNBO

    Cada um atende requisitos específicos de diferentes mercados e legislações.

     

    Principais diferenças entre RenovaBio e ISCC

    AspectoRenovaBioISCC
    AbrangênciaBrasilInternacional
    ObjetivoDescarbonização nacionalSustentabilidade e rastreabilidade internacional
    Órgão gestorANPISCC System GmbH
    Benefício econômicoEmissão de CBIOsAcesso a mercados e clientes internacionais
    MercadoNacionalExportação e mercados globais
    CertificaçãoBiocombustíveisDiversos produtos renováveis

    Cadeia de Custódia

    Um dos principais pontos em comum entre ambos os sistemas é a necessidade de garantir a rastreabilidade das matérias-primas.

    No RenovaBio, a cadeia de custódia busca assegurar que apenas matérias-primas elegíveis sejam consideradas para fins de certificação e emissão de CBIOs.

    Já no ISCC, além da rastreabilidade, existe um forte foco na sustentabilidade da origem da matéria-prima, no atendimento aos critérios ambientais e sociais e na manutenção do balanço de massa ao longo da cadeia logística.

     

    Quadro comparativo detalhado

    CritérioRenovaBioISCC
    Objetivo principalIncentivar a descarbonização da matriz de combustíveis brasileira por meio da emissão de CBIOs.Demonstrar a sustentabilidade da cadeia produtiva e permitir o acesso a mercados internacionais.
    Abrangência geográficaExclusivamente Brasil.Internacional, com reconhecimento em diversos países.
    Mercado atendidoMercado nacional de combustíveis.Mercados internacionais, especialmente União Europeia, Reino Unido, Japão e cadeias globais de fornecimento.
    Legislação / NormaLei nº 13.576/2017, Decreto nº 9.888/2019 e regulamentações da ANP.Sistema privado internacional baseado em requisitos próprios e alinhado a diversas legislações internacionais (RED II/III, CORSIA, entre outras).
    Órgão gestorAgência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).ISCC System GmbH (Alemanha).
    Benefício para a empresaPossibilidade de emissão de Créditos de Descarbonização (CBIOs).Acesso a mercados e clientes que exigem certificação internacional de sustentabilidade.
    Receita financeiraVenda de CBIOs conforme a Nota de Eficiência Energético-Ambiental da unidade.Não gera créditos negociáveis. O benefício está no acesso a mercados e agregação de valor aos produtos certificados.
    Empresas elegíveisProdutores de biocombustíveis certificados pela ANP.Produtores rurais, cooperativas, tradings, esmagadoras, usinas, distribuidores e indústrias da cadeia de biomassa.
    Produtos abrangidosEtanol, biodiesel, biometano, SAF e outros biocombustíveis regulamentados.Biomassa agrícola, óleos vegetais, resíduos, combustíveis renováveis, produtos químicos, alimentos, rações e diversos outros produtos de origem renovável.
    Foco da certificaçãoEficiência energético-ambiental da produção de biocombustíveis.Sustentabilidade ambiental, social, rastreabilidade e emissões de GEE ao longo da cadeia.
    Avaliação das propriedades ruraisVerificação da elegibilidade conforme critérios do RenovaBio e da legislação brasileira.Avaliação conforme critérios internacionais, incluindo áreas de alto valor de conservação (HCV), estoques de carbono, uso da terra e cumprimento legal.
    Cadeia de CustódiaObrigatória para determinadas matérias-primas, 

    Elegibilidade das áreas agrícolas

    Outra diferença importante está na forma de avaliação das propriedades rurais.

    O RenovaBio possui critérios específicos definidos pela legislação brasileira para identificar áreas elegíveis à produção de biomassa, sendo que não pode haver desmatamento (tolerância zero) seguido de cultivo de biomassa energética, desde o final de 2017.

    No ISCC, além da análise documental, existem critérios internacionais relacionados ao uso da terra, áreas de alto valor de conservação, estoques de carbono, áreas protegidas e cumprimento da legislação ambiental aplicável.

     

    Emissões de Gases de Efeito Estufa

    Ambos os programas avaliam emissões de gases de efeito estufa, porém com metodologias distintas.

    No RenovaBio, utiliza-se a RenovaCalc para determinar a Nota de Eficiência Energético-Ambiental da unidade produtora.

    No ISCC, o cálculo segue metodologias próprias reconhecidas internacionalmente, normalmente utilizadas para comprovação de reduções de emissões exigidas pelos mercados internacionais.

     

    Quem deve buscar o RenovaBio?

    O RenovaBio é indicado principalmente para:

        • produtores de etanol;

        • produtores de biodiesel;

        • produtores de biometano;

        • produtores de combustível sustentável de aviação (SAF), conforme regulamentação aplicável.

      Empresas certificadas podem emitir CBIOs e gerar receita adicional pela comercialização desses créditos.

       

      Quem deve buscar o ISCC?

      O ISCC é recomendado para empresas que:

          • exportam óleo vegetal;

          • exportam biodiesel;

          • exportam etanol;

          • fornecem matérias-primas para mercados internacionais;

          • atendem clientes que exigem certificações internacionais de sustentabilidade.

          • Matéria prima para SAF

        Além do acesso a novos mercados, a certificação frequentemente se torna requisito contratual para fornecimento a grandes empresas globais.

         

        É possível possuir as duas certificações?

        Sim.

        Na prática, isso é cada vez mais comum.

        Diversas empresas mantêm simultaneamente a certificação RenovaBio para atendimento ao mercado nacional e certificações ISCC para comercialização internacional.

        Embora existam pontos semelhantes, cada sistema possui requisitos próprios, exigindo procedimentos específicos para garantir conformidade.

         

        Como reduzir o esforço de implementação?

        Apesar das diferenças, diversos processos internos podem ser estruturados para atender simultaneamente aos dois programas.

        Controles de rastreabilidade, procedimentos operacionais, treinamentos, gestão documental e auditorias internas podem ser desenvolvidos de forma integrada, reduzindo custos e aumentando a eficiência do sistema de gestão.

        Essa abordagem permite minimizar retrabalhos e facilita futuras auditorias.

         

        Conclusão

        RenovaBio e ISCC não competem entre si.

        Na realidade, são programas complementares, voltados para objetivos distintos.

        Enquanto o RenovaBio estimula a descarbonização da matriz energética brasileira por meio da emissão de CBIOs, o ISCC amplia o acesso a mercados internacionais e fortalece a credibilidade da cadeia de fornecimento perante clientes globais.

        Empresas que compreendem essas diferenças conseguem estruturar seus processos de forma mais eficiente e aproveitar oportunidades tanto no mercado nacional quanto no internacional.

        Sua empresa pretende implementar o RenovaBio, obter uma certificação ISCC ou integrar ambos os sistemas?

        A BioExecut atua na implantação, monitoramento e suporte técnico de programas de certificação em sustentabilidade para produtores e indústrias do setor de biocombustíveis, auxiliando empresas na preparação para auditorias, implementação de sistemas de rastreabilidade e atendimento aos requisitos regulatórios.

        Fique por dentro das novidades do Renova Blog

        Assine nossa newsletter e fique por dentro das novidades do RenovaBio

        Escreva um comentário

        O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

        © 2025 BioExecut. Todos os direitos reservados.