O setor de biometano vive um momento de forte expansão no Brasil. Novas plantas estão sendo projetadas e construídas para atender à crescente demanda por combustíveis renováveis e soluções de descarbonização. No entanto, muitas empresas cometem um erro recorrente: deixam para pensar na certificação somente quando a usina está próxima de iniciar a operação.
Na prática, o melhor momento para estruturar os requisitos necessários para geração de CBIOs e emissão de CGOBs é durante a fase de engenharia e implantação da planta. Decisões tomadas no projeto podem impactar diretamente a capacidade futura da usina de comprovar sua produção, atender requisitos regulatórios e acessar receitas adicionais vinculadas aos atributos ambientais do biometano.
Se a sua usina de biometano ainda está em construção, este é exatamente o momento ideal para começar esse planejamento.
Por que pensar nisso antes da operação?
Muitos dos requisitos exigidos para certificações e programas de rastreabilidade dependem de informações que precisam ser geradas desde o primeiro dia de operação.
Quando a usina inicia suas atividades sem planejamento prévio, é comum surgirem dificuldades como:
- Ausência de registros necessários;
- Falhas de medição;
- Inconsistências documentais;
- Impossibilidade de comprovar dados históricos;
- Necessidade de adequações posteriores.
Além de gerar custos adicionais, esses problemas podem atrasar significativamente processos de certificação, auditorias e obtenção de benefícios financeiros relacionados à comercialização dos atributos ambientais.
Por outro lado, quando os requisitos são considerados durante a implantação, a operação já nasce preparada para atender às exigências regulatórias e de mercado.
Quais documentos precisam nascer corretamente?
Uma certificação sólida depende da qualidade das evidências produzidas pela usina.
Entre os principais documentos e registros que devem ser estruturados desde o início estão:
- Licenças ambientais;
- Autorizações regulatórias;
- Procedimentos operacionais;
- Registros de recebimento de matéria-prima;
- Planilhas e relatórios de produção;
- Balanços de massa;
- Documentação de comercialização;
- Registros dos sistemas de medição;
- Contratos com fornecedores e clientes.
Quando esses documentos são criados de forma organizada desde a implantação, o processo de certificação se torna muito mais rápido e seguro.
Como evitar retrabalho no futuro?
Um dos custos ocultos mais comuns em projetos de biometano é o retrabalho.
Não é raro encontrar usinas que precisaram:
- Instalar medidores adicionais após a partida da operação;
- Reestruturar sistemas internos de registro;
- Refazer procedimentos operacionais;
- Buscar informações históricas que nunca foram registradas adequadamente.
Em muitos casos, essas adequações custam mais do que ter considerado os requisitos de certificação durante a fase de projeto.
Planejamento antecipado significa evitar correções futuras e garantir que a operação já esteja alinhada às exigências dos programas de certificação.
A importância dos sistemas de medição
Os sistemas de medição são um dos pilares da comprovação da produção de biometano.
Auditorias, programas de certificação e mecanismos de emissão de certificados dependem da existência de dados confiáveis sobre:
- Produção de biogás;
- Produção de biometano;
- Consumo energético;
- Vazões;
- Perdas de processo;
- Comercialização do combustível.
Quando os instrumentos de medição são definidos corretamente ainda durante a engenharia da planta, a geração dos dados necessários ocorre naturalmente ao longo da operação.
Evidências: o que será exigido no futuro?
Toda certificação depende de evidências.
Durante auditorias, não basta afirmar que determinada prática foi executada. É necessário demonstrar por meio de registros objetivos que o processo realmente ocorreu.
Por isso, uma usina deve pensar desde o início na geração e armazenamento de evidências relacionadas a:
- Produção;
- Qualidade do biometano;
- Matérias-primas utilizadas;
- Movimentação de produtos;
- Comercialização;
- Indicadores operacionais.
A organização dessas informações desde a fase inicial reduz riscos e aumenta significativamente a confiabilidade do empreendimento.
Intensidade de carbono: um fator estratégico
A intensidade de carbono é um dos principais indicadores utilizados para mensurar o desempenho ambiental dos combustíveis renováveis.
No caso do biometano, determinadas escolhas realizadas ainda na etapa de projeto podem impactar diretamente os resultados futuros relacionados às emissões.
Aspectos como:
- Origem dos resíduos;
- Logística de transporte;
- Consumo energético;
- Tecnologias empregadas;
- Eficiência operacional.
Podem influenciar o desempenho ambiental da usina e, consequentemente, seu potencial de geração de valor associado à descarbonização.
Por isso, avaliar esses fatores antes do início da operação pode trazer ganhos relevantes ao longo da vida útil do empreendimento.
Cadeia de Custódia: um tema que não pode ser ignorado
À medida que o mercado de biometano evolui, cresce também a importância da rastreabilidade.
A Cadeia de Custódia permite demonstrar a origem do produto, os fluxos de movimentação e a integridade das informações associadas ao combustível comercializado.
Estruturar processos de rastreabilidade desde o início facilita:
- Auditorias;
- Certificações;
- Emissão de certificados ambientais;
- Validação de atributos sustentáveis;
- Atendimento a clientes que exigem comprovação de origem.
Empresas que deixam esse tema para depois normalmente enfrentam maiores dificuldades de adequação.
Monte um cronograma de certificação desde já
Um erro comum é imaginar que a certificação pode ser iniciada poucos dias antes do início da operação.
Na realidade, o processo envolve diversas etapas que exigem planejamento:
Fase de Engenharia
- Avaliação dos requisitos regulatórios;
- Definição dos pontos de medição;
- Estruturação da rastreabilidade.
Fase de Implantação
- Implementação dos controles;
- Criação de procedimentos;
- Definição dos registros obrigatórios.
Pré-Operação
- Validação dos sistemas;
- Organização documental;
- Simulações e verificações internas.
Operação Inicial
- Geração das evidências;
- Consolidação dos registros;
- Preparação para auditorias e certificações.
Quanto mais cedo o cronograma for estruturado, menor será o risco de atrasos futuros.
Casos em que a falta de planejamento atrasou certificações por meses
O mercado já possui diversos exemplos de empreendimentos que enfrentaram atrasos significativos porque não consideraram os requisitos de certificação durante a construção da planta.
Os problemas mais frequentes envolvem:
- Medidores instalados de forma inadequada;
- Falta de registros históricos;
- Ausência de procedimentos documentados;
- Inconsistências em balanços de massa;
- Falhas de rastreabilidade;
- Deficiências nos processos de controle operacional.
Em muitos desses casos, a correção das não conformidades exigiu meses de trabalho adicional, investimentos não previstos e adiamento do acesso às receitas associadas aos benefícios ambientais do projeto.
Planejar antes é mais barato do que corrigir depois
A certificação de uma usina de biometano não começa quando a produção é iniciada. Ela começa muito antes, durante as decisões de engenharia, definição dos processos e implantação dos sistemas de controle.
Empresas que incorporam os requisitos de rastreabilidade, medição, documentação e conformidade regulatória desde a construção da planta normalmente conseguem reduzir custos, evitar retrabalho e acelerar sua entrada nos programas de certificação.
Além disso, aumentam significativamente suas chances de capturar o valor econômico associado aos atributos ambientais do biometano.
A BioExecut pode apoiar sua usina desde a fase de projeto
A BioExecut acompanha projetos desde a fase de engenharia da planta, permitindo que a usina inicie sua operação preparada para obtenção dos benefícios do RenovaBio e do CGOB.
Se sua usina de biometano está em construção ou em fase de desenvolvimento, este é o momento ideal para estruturar processos, controles e evidências que serão fundamentais para futuras certificações, auditorias e geração de valor ambiental.
Perguntas frequentes
Quando uma usina de biometano deve iniciar o processo de certificação?
O ideal é iniciar o planejamento ainda durante a fase de engenharia e construção da planta.
Por que pensar em CBIO e CGOB antes da operação?
Porque diversos requisitos dependem de sistemas, medições, registros e evidências que precisam ser gerados desde o início da operação.
A falta de planejamento pode atrasar certificações?
Sim. A ausência de controles, documentos e sistemas adequados pode gerar atrasos significativos e custos adicionais.
Os sistemas de medição influenciam a certificação?
Sim. Eles são fundamentais para comprovar produção, eficiência operacional e rastreabilidade.
A BioExecut atua em projetos que ainda não iniciaram operação?
Sim. A BioExecut apoia empreendimentos desde a fase de engenharia da planta, preparando a estrutura necessária para futuras certificações e auditorias.





